Últimas Horas

8 maio 2008

Olá!

Filed under: Do que se fala,Isabella — ultimashoras @ 8:05
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Inauguro alterando o post inicial, da própria instalação, e tocando no assunto mais tocante dos últimos dias: o assassinato da Isabella.

O casal, pai e madrasta, foi preso, a pedido do promotor, e deu entrada na cadeia no começo da madrugada.

O ordem de prisão foi expedida ainda antes das seis da tarde de ontem, segundo comentaristas, para poder ser executada no mesmo dia.

Depois da ordem de prisão, recomeçou o circo de sempre. Imprensa e curiosos em todos os locais relacionados com os envolvidos no caso. Manifestações em frente as câmeras, algumas com cara de organizadas por algum diretor de arte dessas emissoras sensacionalistas.

E comentários e mais comentários.

Os mais importantes deles dizem respeito à própria prisão do casal suspeito, que a partir de ontem são considerados réus.

A maioria dos especialistas acredita que essa prisão, ou essas prisões, não se justificam e não duram mais que essa noite que passou.

O argumento é que só há dois motivos para uma prisão preventiva: flagrante, o que não houve, e tentativa de atrapalhar as investigações, o que também não houve, e nem poderia mais haver, uma vez que as investigações já terminaram.

Deve haver, claro, outros motivos, não tão conhecidos pelos leigos, para justificar prisões desse tipo.

Um deles poderia ser a tentativa, por parte do suspeito, ou do réu, de manipular a opinião pública a seu favor, coisa que poderia influir num futuro possível julgamento pelo tribunal do juri.

Seria esse o caso do casal Nardoni?

Outro argumento que, dizem, poderia embasar o pedido e a própria prisão preventiva, seria a “comoção social”. Parece que o promotor alegou isso, provavelmente entre outras coisas.

Do que se trata então? Prende-se pelo fato de a sociedade assim o querer? Como se afere isso?

Ou prende-se para proteger os réus suspeitos do crime? Nesse caso, não seria necessária a concordância deles?

Esse caso brutal está caminhando, cada vez mais, para o império do absurdo.

Os evidentes erros da polícia não se coadunam com o extremo rigor atribuído a seus laudos.

Qualquer pessoa que tenha mais de um celular, de operadoras diferentes, sabe que o horário deles nem sempre bate, há diferenças, às vezes, de até dois minutos.

No entanto, a polícia, a parece que também a promotoria, trabalham com um tempo máximo de treze minutos e tanto, quase quatorze minutos, entre a chegada da família ao prédio onde residiam e a comunicação aos bombeiros de que havia um corpo no gramado.

Esses treze ou quatroze minutos foram calculados usando horários recolhidos em diferentes “relógios” ou sistemas. O do sistema de rastreamento do carro do casal e o do sistema de uma operadora de telefonia celular.

Foram levadas em conta eventuais disparidades? Pelos erros primários que cometeu a polícia nesse caso, pode-se perguntar até se aferiram se o sistema de rastreamento não estaria ainda com seu horário registrado ainda no “horário de verão”.

Um dos principais elementos para a suposição de que só o casal poderia ter cometido o crime é exatamente esse exíguo tempo de quatorze minutos.

A polícia ainda avaliou ser possível descontar dois ou tres deles, passando a trabalhar com onze minutos entre o desligamento do carro e a queda da menina.

Ora, nesses onze minutos talvez nem fosse possível acontecer o que de mais eles relatam em sua hipotética “reconstrução”. A não ser que a menina já viesse morta ou desfalecida, e o “plano ” de jogá-la do apartamento já estivesse devidamente traçado.

Se assim foi, se a menina foi agredida no carro, durante o trajeto até o prédio, há que se investigar, através do mesmo sistema de rastreamento, qual foi o percurso que o carro fez até a chegada ao trágico destino.

Deveriam estudar o trajeto, a última vez que o carro foi desligado antes de chegar à garagem, a última vez que foi ligado antes disso, as últimas vezes todas que o carro foi ligao e desligado naquele dia.

Deveriam ter levantado se houve algum tempo em que o carro ficou parado no percurso até o prédio, em que velocidade se deram os últimos deslocamentos, e por aí afora. Tudo isso poderia ser obtido lá na mesma rastreadora de carros.

O mesmo vale para os celulares do casal e de seus familiares, quais foram as últimas ligações que fizeram e que receberam? Qual a duração de cada uma delas?

Todos os indícios apontam na direção do casal. Mas são poucos indícios ainda. A polícia perdeu, talvez para sempre, a possibilidade de levantar muito mais coisas. E esses poucos indícios são frágeis demais, poderão ser destruídos, um a um, pela defesa.

1 Comentário »

  1. Como a grande maioria das pessoas que conheço, também acho que o casal está envolvido e que ambos serão julgados e condenados pela assassinato da pequena Isabella.

    Mas acho que a polícia primeiro, e depois o promotor, deixaram muito a desejar à frente desse caso.

    O promotor agiu como que motivado pela ira dos exaltados, orientado pela forma que a imprensa manipulou a opinião pública para criar comoção e vender propaganda.

    Já a polícia parece até que queria ajudar o casal; um erro atrás do outro, de tal forma que pode ter comprometido para sempre a possibilidade de chegarmos a uma conclusão bem alicerçada.

    Sempre ouvi dizer que no caso da Rua Cuba, a polícia e a promotoria jogaram para promover a impossíbilidade de um julgamento, orientados pelo irmão da mulher assassinada.

    Agora ouço boatos insinuando que o mesmo ocorre com a polícia nesse caso. A sucessão de erros é imperdoável; se foi proposital, é condenável.

    A própria prisão do casal, antes prisão temporária, agora prisão preventiva, acabará por dificultar o julgamento e por proporcionar, em caso de condenação, diminuição significativa da pena.

    Se for para investigar, indiciar, julgar e condenar, ao rítmo da imprensa e da opinião pública, era melhor fazer-se pesquisas de opinião, ou logo uma eleição direta e pronto, economizaríamos tempo e dinheiro.

    Está certo que a imprensa ganharia um pouco menos, coitada, mas nós não teríamos que acordar e dormir ouvindo as barbaridades que estão sendo ditas sobre a tragédia.

    Comentário por Paulo Domingues — 8 maio 2008 @ 14:56


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